MINC, tê-lo ou não tê-lo?

0
20

Eis a questão. Desde que Michel Temer assumiu de forma desavergonhada ou não a presidência da República, a extinção do MINC entrou na pauta do dia. As argumentações de tê-lo e não tê-lo são muitas.

Brasília – Novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, durante coletiva após cerimônia de posse, no Palácio do Planalto (Antonio Cruz/Agência Brasil).

 

Segundo a turma do tê-lo, mantê-lo implica torná-lo Ministério de fato, a exemplo do Ministério da Educação e Saúde. Artistas, produtores, gestores, fazedores culturais, enfim, militantes da cultura, geralmente são acusados de comunas e vagabundos por parcela da classe média, que enxerga a cultura como uma variável inútil ao desenvolvimento do país.

Não tê-lo, segundo as argumentações, não implica necessariamente que não haverá políticas para o setor. Sergio Sá Leitão, Ministro da Cultura nomeado recentemente argumentou em artigo em 2016 que ter um Ministério da Cultura não significa que a gestão das políticas para o setor terá êxito. Ele ilustrou França e Reino Unido como referências exitosas em políticas culturais, e que não possuem Ministério exclusivo.

A história do Ministério da Cultura no Brasil nos revela algumas ironias. Em 1985,  após a redemocratização do país e a morte do então presidente Tancredo Neves, o vice José Sarney assume a presidência e institui o Ministério da Cultura. Segundo analistas e jornalistas da época, Sarney cedeu a pressão do segmento em razão da participação do setor no processo político.

Vice de Dilma, Michel Temer é empossado presidente em 2016. Em seguida vê frustrado a tentativa de extinguir o MINC, Novamente, segundo formadores de opinião, a pressão do segmento obrigou Temer a recuar da decisão. Como vê, não é só o lobby do capital produtivo e financeiro que opera sobre os ombros de Temer, artistas, produtores e fazedores culturais andam a pari passo nos corredores de Brasília e nas ruas do Brasil.

A celeuma por um Ministério ou não, não parece objeto somente da turma da cultura ou de pastores sedentos por ovelhas e votos. O Comércio Exterior também reivindica seu peso na esplanada. Para o bem ou para mal, faça chuva ou faça sol, no fim do almoço é preciso saber quem vai pagar a conta.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here