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Ubs e o Cidadão parte II

O primeiro contato entre médico-paciente na saúde pública vai determinar os minutos seguintes

Finalmente, após esperar um mês até a consulta com o clínico geral, chega o derradeiro dia. A ansiedade é grande quanto ao diagnóstico e os encaminhamentos. Não é nada grave que demande de mim, um esforço imediato sob pena de ter minha vida ceifada por uma enfermidade fatal. Mas é o caso de preocupar-se e cuidar da saúde para que ela não venha tomar providências futuras.

Enfim, agora na fila de espera, mas essa não é tão longa e demorada, sou convidado por uma enfermeira ir até uma sala, onde ela colhe as primeiras informações; tem pressão alta, diabete, fuma?

De volta à fila, dessa vez do médico, duas senhoras estão à minha frente. Uma a uma são chamadas sem que eu perceba. De repente me vejo só e a espera de minha entrada na sala do médico.

O climax do texto é agora, preste atenção. De dentro da sala, uma voz aparentemente cansada e tímida entona meu nome. A voz distante se repete por duas vezes, até que fica claro as pronúncias das sílabas que constrói o som familiar da minha graça.

Levanto-me atento e sigo até a porta entreaberta, peço licença, me adentro ainda mais à sala e o médico num urro desconhecido, e com a minha ficha na mão inicia a leitura. Ele lê para dentro do seu esôfago as informações contidas no prontuário, como se não existisse um transeunte a sua frente.

O silêncio do prontuário não diz nada, sento na cadeira sem que ele me convide ou autorize, e aguardo o seu atendimento. Passados alguns segundos, o clínico geral me interroga da mesma forma que a enfermeira, no entanto, as respostas são mais específicas.

Aparentemente mudo, ele escreve garranchos na folha sobre a mesa e me entrega, dessa vez dizendo com os olhos irritados, se tratar de encaminhamentos, exames de rotinas que devem ser feitos para um diagnóstico mais preciso. Tomei o papel na mão como que um remédio que aliviaria a dor temporariamente.

Sai de lá com a sensação de que se iniciara alí,  uma história, não muito longa, mas também não muita curta, entre o atendimento do médico da saúde pública, e o cidadão preocupado. Por enquanto é só isso, aguardemos os resultados dos exames. Até breve.

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Luciano Medina