Comunicação e Gestão de Projetos. Cultura e Desenvolvimento
Home / Crônicas / A Cultura em Hortolândia

A Cultura em Hortolândia

A Cultura em Hortolândia vai bem obrigado! Já a política cultural, essa cambaleia ora pra lá, ora pra cá, ao sabor de governos em prejuízo às políticas públicas.

3ª Confecult Hortolandia 2015.

 

Antes de iniciar o debate sobre a cultura e a sua política no município, um esclarecimento acerca da distinção entre cultura, arte e entretenimento é importante. Um costume, compreensível, de abarcar tudo dentro de um balaio, se tornou algo que passou a vigorar como verdade, o que não contribui para o aperfeiçoamento das políticas públicas. 

Não se deve confundir cultura com arte e entretenimento; são três valores diferentes que se relacionam pontualmente. Cultura é algo mais complexo e se refere ao modo de vida de uma comunidade, de um povo, tradicional ou contemporâneo. Existe na literatura uma diversidade de conceituações sobre o que é cultura. Quanto à arte, resumidamente, ela tem sua prática relacionada com a criação técnica; é algo pensado, elaborado para um determinado fim, geralmente para contemplação ou contestação. Já o entretenimento tem sua relação direta com o lazer e a diversão. 

Portanto, discutir política cultural na cidade requer uma interferência exata do que é uma coisa e outra, sob pena de ver o direito cultural evaporar como num discurso eleitoreiro, característicos em cidades do interior.

Hortolândia já foi considerada cidade modelo, por ser umas das primeiras a instituir o marco legal para o desenvolvimento e aprimoramento das políticas culturais. Marco esse sustentado pelas diretrizes do Plano Nacional de Cultura, Lei nº 12.343 de 2010 e assentados nos artigos 215, 216 e 216-A da Constituição Federal.

O município foi contemplado com as Leis do Conselho Municipal de Política Cultural, do Sistema Municipal de Cultura e do Fundo Municipal da Cultura. Uma conquista da população, por meio da sociedade civil e dos movimentos culturais organizados. Conquistas que estão em xeque.

Atualmente, as politicas culturais, de governo ou públicas, são tocadas sem que a legislação municipal do setor seja respeitada. Um afronte ao que foi construído, ironicamente, na gestão em que o atual prefeito Angelo Perugini (PDT) era o mandatário.

Para ter noção da gravidade e ausência efetiva das políticas culturais, a Casa de Joana, reconhecida companhia de Teatro está na iminência de perder o espaço onde organiza seus espetáculos, por uma questão meramente politiqueira, por um capricho contaminado pela divisão de poder político, que se acentuou nas eleições municipais de 2016.

Esse processo atingiu o combalido Conselho Municipal de Políticas Culturais, que durante a última gestão, sequer fiscalizou adequadamente as ações do poder público. Um formato diferente para o Conselho de Cultura, mais independente precisa ser pensado para a próxima conferência, ainda sem data para ser realizada.

Para que as conquistas do passado sejam mantidas e aprimoradas, e para que elas tenham os efeitos desejados no futuro, é urgente mobilização, organização e disposição dos diferentes setores culturais para o entendimento. Os desafios impostos são muitos, aliás, desafios do tamanho da cidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Luciano Medina