Durante muio tempo, o transporte para Campinas foi marcado por poeira, lama, ônibus velho e demorado. Foto Renato Figueiredo e Mauricio Vicente

Jardim Amanda no fim da década de 80 e inicio de 90 do século passado. Fotos gentilmente cedidas por Mauricio Vicente e Renato Figueiredo

 

Chamado de Poeirinha, o ônibus transportava diariamente centenas de trabalhadores para Campinas. O Jardim Amanda não tinha asfalto e a circulação do ônibus no horário de pico dava conta da quantidade de poeira que produzia, ou lama, dependendo do tempo.

Nessa época, o bairro ainda tinha muitos terrenos abertos, por onde se formavam “trilhazinhas” para encurtar a caminhada dos transeuntes. Era fácil identificar passagem do Poeirinha à distância. Onde se via a poeira sobre o vento, sabia-se que chagava ou partia o antigo busão da Caprioli.

Dentro do ônibus lotado, ouvia-se e via-se espirros, tosses e pigarros. A poeira assentava na cabeça das pessoas e alterava a coloração dos cabelos.

Era preciso precaução e as mulheres geralmente carregavam cremes e escovas nas bolsas. Já os homens, uma esfregada com a mão na cabeça resolvia o problema.

E foi assim por muito tempo, ruas de terras, poeira, lama, saco de plásticos no pé, transporte ruim e demorado. Poeirinha de manhã, poeirinha de tarde e à noite até o dia em que o milagre do asfalto de graça chegou, na faixa, é o que dizem.

O fim do ônibus Poeirinha foi o início dos modernos e pomposos busões. A tarifa é alta, tem corredores exclusivos, tem terminais de transferência, mas a viagem continua longa e o ônibus segue lotado para o destino.

Daqueles memoráveis períodos de poeirinha, a lembrança que fica é que a exemplo daquele tempo, o ar condicionado de agora não funciona, e as gotas insistem em molhar a minha careca em tempo de chuva.